BEM-VINDOS

Olá a todos!!!
Participem comigo nesta aventura, acompanhando o trabalho desenvolvido por uma equipa internacional de cientistas, a bordo do R/V Marion Dufresne, durante o cruzeiro oceanográfico MD168 - AMOCINT (IMAGES XVII) que decorrerá, no Atlântico Norte, entre 15 de Junho e 10 de Julho de 2008.

Estou a contar com os vossos comentários e questões!

Obrigado a todos pelo vosso apoio e colaboração...

Hélder Pereira
"Teachers at Sea"
Educational Program
Escola Secundária de Loulé
PORTUGAL

sábado, 28 de junho de 2008

Dia 14 (28Jun)

Coordenadas: 57˚26’ N 27˚54’ W

Olá a todos!!!

O mar e o vento mantiveram-se calmos ao longo da maior parte do dia. O Sol voltou a brilhar, mas as temperaturas mantêm-se baixas. Chegámos no final da manhã à zona da estação de amostragem de Gardar, localizada a sudoeste da Islândia, e já durante a tarde foi lançado ao mar o equipamento de carotagem Calypso.


O tubo Calypso

O testemunho de sedimentos obtido não foi tão comprido quanto o esperado devido a uma “drop stone” que impediu o fecho do sistema de retenção dos sedimentos existente na ogiva. Perderam-se cerca de 30 metros de material e o testemunho de sedimentos ficou muito alterado, tendo sido recuperados apenas cerca de 23 metros. No final do dia zarpámos em direcção ao planalto de Vöring (onde serão recolhidos sedimentos em três locais) e, durante o turno das quatro às oito da manhã, terminámos o processamento do testemunho de sedimentos recolhidos em Gardar.

Day 13 (27 Jun)


Location: 54º 32’N – 32º 56’W
Weather: Cloudy and rainy
Wind: 28 knots

Coring has just been completed at two sampling locations in the Charlie Gibbs fracture zone. The exact location of the sampling sites was unknown because this area has not been surveyed before. Indeed, although the oceanographic vessel Charcot took a short core in this area in 1977, at that time there was no GPS technology, so the position was imprecise. Therefore, time for surveying was needed before coring. Through the use of previously existing bathymetric maps and the multi-beam technology available on the Marion Dufresne, the location was found more easily than expected at the first site. A longer survey was needed for the second, shallower site.


Map with the coring stations location near the Charlie-Gibbs fracure zone.

The interest of coring in this area is that it is located on the path of both the warm surface waters going northward (north Atlantic drift) and the dense cold deep water mass coming back southward from the Nordic seas.

Once we arrived at the Charlie Gibbs fracture zone, we took a Casq core, but some of the sediments spilled out the top. Then, sediment in perfect condition was collected in a 35.48 meter long Calypso core. An additional successful Casq core completed sampling at the first site.

At the site the wind was very strong, and there were large waves, which made the coring very difficult. Also, the temperature was quite cold, which made the work uncomfortable and exhausting at times. The weather conditions even made the working conditions risky, as we unfortunately saw when Gertrud fell on slippery steps. She bruised her ribs, but is in good spirits—and is currently processing data!

The Marion Dufresne now continues on to the second location in the Charlie Gibbs zone in hopes of better weather. The survey allowed the research team to make a more extensive bathymetric chart of the area.

In fact, the weather conditions did not improve at the second location, but became more challenging (the wind was at a speed of 45 Knots). A Casq core, and then a Calypso were attempted, but the latter had little success (the Calypso core was only 7.27 meters). Therefore, last night the first location was again investigated in hopes of obtaining a longer Calypso core. When we arrived the weather was much improved, with calmer seas, so a long Calypso core was attempted with the approval of the captain. Everybody was extremely pleased to bring a 52.45 meter Calypso core on deck about 4 a.m. last night! Overall, although we experienced some set-backs, the coring efforts were highly successful in the Charlie Gibbs fracture zone.

Now that the Charlie Gibbs fracture zone work is successfully completed we will continue North to our next sampling site (the “Gardar” site). We will arrive tomorrow afternoon, and should have some news for you in our next email—thank you for your continued interest!

Your fellow sea-faring teachers,
Hélder - Jean - Gertrud -Catalina - Angela - Carlo

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Dia 13 (27Jun)

Coordenadas: 52˚70’ N 35˚94’ W

Olá a todos!!!

Esta madrugada, ao acordar, fui surpreendido com a notícia de que tínhamos regressado à primeira estação da região da fractura Charlie-Gibbs e que estavam a puxar para o convés o equipamento Calypso. À segunda tentativa conseguimos recolher o testemuho de sedimentos mais comprido, obtido até ao momento nesta campanha, com cerca de 53 metros. Tivemos muito que fazer ao longo do dia…

O mar e o vento estiveram mais calmos, mas as temperaturas continuaram baixas (com máximas entre 8 e 10 ˚C) ao contrário das temperaturas elevadas que se têm registado no nosso país.

Após a equipa que lida com os equipamentos de carotagem ter colocado o tubo de aço do sistema Calypso no convés e retirado o tubo de plástico do seu interior o seu trabalho terminou. A partir dali entrámos nós em acção. Entre as quatro e as oito da manhã tivemos que cortar o tubo de plástico, que contém os sedimentos, em secções e transportar cada uma delas até ao local onde as amostras são tratadas. Hoje foi seguramente o dia em que tivemos mais trabalho. Quando o nosso turno regressou ao convés às quatro da tarde ainda havia tubos para limpar e identificar. Para além disso ainda tivemos que cortá-los em duas metades (uma para arquivo e a outra para analisar e estudar), catalogá-las e empacotá-las.


Abertura de um testemunho de sedimentos Calypso

Os sedimentos da metade que é analisada a bordo foram descritos usando-se um formulário que permite recolher informações relativas à estratigrafia, espessura das camadas, litologia e estruturas sedimentares, textura (alguns dos cientistas chegam mesmo a provar os sedimentos de forma a descrevê-la), conteúdo fossilífero e perturbações resultantes do manuseamento das amostras.


Descrição de um testemunho de sedimentos

Para além desta descrição qualitativa os testemunhos de sedimentos foram analisados no Multi Sensor Track (MST) a que já fiz referência. O MST é um conjunto de instrumentos, localizado num contentor, que permite medir algumas propriedades físicas dos sedimentos recolhidos. Estas propriedades são a velocidade de propagação das ondas P, o diâmetro e temperatura do testemunho de sedimentos, a atenuação de radiação Gama e a susceptibilidade magnética. Os sedimentos foram ainda fotografados e analisados por um espectrómetro.


Análise de sedimentos no MST

Depois de tudo isto terminámos o turno e pudemos finalmente ir jantar, descansar e dormir uma noite de sono completa, pois iniciámos um período de “trânsito” de cerca de 24 horas, rumo a Nordeste, até à zona de Gardar.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Dia 12 (26Jun)

Coordenadas: 53˚11’ N 36˚49’ W

Olá a todos!!!

O frio veio definitivamente para ficar… O mar entretanto, devido ao vento forte (cerca de 50 nós) que se fez sentir, esteve muito agitado o que dificultou os trabalhos de pesquisa dos novos locais a perfurar e a colocação do equipamento de carotagem na água. Continuámos ao longo de todo o dia a pesquisar diferentes locais na região de fractura Charlie-Gibbs.

O interesse em recolher sedimentos na zona da fractura Charlie-Gibbs tem a ver com o facto de a corrente de água profunda do Atlântico Norte passar por ali e permitir a deposição uma grande quantidade de sedimentos naquela região.


Locais de recolha de sedimentos na zona da fractura Charlie-Gibbs

Apesar de estar prevista a recolha de sedimentos em mais duas estações, as pesquisas efectuadas permitiram apenas encontrar mais um local adequado para o lançamento dos equipamentos de carotagem. O mar acalmou um pouco, pelo que no fim do dia ainda ali se conseguiu recolher mais testemunhos de sedimentos com dois dos tipos de equipamento de carotagem a bordo do R/V Marion Dufresne: Calypso e Casq.


Espera-nos um longo período de tempo dedicado ao tratamento das amostras de sedimentos recolhidas. Amanhã vou descrever o tipo de análises preliminares a que os testemunhos de sedimentos são sujeitos a bordo.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Dia 11 (25Jun)

Coordenadas: 52˚51’ N 36˚30’ W

Olá a todos!!!

Hoje o mar esteve bastante calmo, mas a temperatura não passou dos 11 ˚C (…). Foi um dia de trabalho contínuo para todos os turnos.

Após termos chegado à zona da fractura Charlie-Gibbs, durante a madrugada, procurámos o melhor local para realizar a recolha de sedimentos. Uma vez concluída a pesquisa lançou-se à água o equipamento de carotagem Casq na primeira estação de amostragem.


Recolha de amostras no tubo de carotagem Casq

O primeiro testemunho de sedimentos recolhido permitiu obter uma boa sequência de materiais, depositados em períodos com diferentes condições climáticas, que eram facilmente identificáveis pela cor bege (interglacial) e cinzento-escuro (glacial).


Sedimentos depositados em diferentes períodos climáticos interglacial - e cinzento-escuro - glacial).

Nestes sedimentos foram encontradas rochas designada por “dropstones” que foram transportadas desde altas latitudes por glaciares que ao fundir permitiram a sua queda no fundo do oceano.


Dropstone

Outro aspecto interessante deste testemunho de sedimentos foi a possibilidade de identificar depósitos turbidíticos, que se caracterizam por ser mais grosseiros na base e mais finos no topo, bem como uma camada bastante rica em vestígios de diatomáceas.


Turbiditos

Foram ainda lançados os equipamentos de carotagem multi-corer, cujos tubos regressaram vazios, e Calypso que regressou ao convés sem qualquer problema e cheio de sedimentos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Dia 10 (24Jun)

Coordenadas: 52˚01’ N 35˚05’ W

Olá a todos!!!

Hoje o mar esteve bem mais calmo… e o Sol voltou a brilhar! A temperatura do ar tem baixado à medida que nos vamos deslocando para Norte. Ontem a temperatura máxima foi de 20 ˚C e hoje diminuiu para 12˚C.

A manhã foi dedicada a recuperar da festa que houve ontem a bordo para celebrar quatro aniversários que decorreram nos últimos três dias. Durante a tarde voltámos a assistir a uma palestra sobre os fundamentos da modelação climática.

O ponto alto do dia foi quando a Marie-Hélène Castera avistou uma baleia. Segundo a co-chefe da missão Kikki Kleiven é provável que avistemos mais baleias à medida que nos deslocamos para Norte. Se isso acontecer espero conseguir tirar algumas para partilhar convosco.

Entretanto, como vos prometi ontem aqui ficam as descrições dos restantes equipamentos de carotagem que temos usado a bordo do Marion Dufresne.


Sistema Casq

O sistema Calypso square (Casq) com cerca de 12 metros de comprimento não permite recolher testemunhos de sedimentos tão longos quanto o sistema Calypso, mas permite obter sequências sedimentares não perturbadas. Durante as operações de carotagem o tubo, com um formato quadrado (25cm x 25 cm), desce lentamente (sem queda livre) até ao fundo do oceano e penetra os sedimentos sem os movimentar. A grande superfície dos testemunhos de sedimentos obtidos com este sistema de carotagem permite estudar melhor a textura e estruturas sedimentares.

O sistema multi-corer usado nesta missão oceanográfica permite recolher amostras de sedimentos junto à interface com a água. É formado por uma estrutura metálica e quatro tubos de plástico com cerca de 50 cm de comprimento e 10 cm de diâmetro. Os tubos penetram lentamente nos sedimentos e a recolha das amostras termina ½ metro após o equipamento atingir o fundo do oceano. Este equipamento é usado em águas pouco profundas e quando as correntes oceânicas o permitem.


Sistema multi-corer

Dentro de algumas horas regressamos ao trabalho e iremos voltar a usar os equipamentos de carotagem que vos descrevi nas três estações de amostragem previstas para a região da fractura Charlie-Gibbs.

Day 9 (23Jun) - Part 2


23 June 2008
Location: 48° 57' N - 33°58' W
Wind : ~17 knots
Water temperature : 14°C
Processing Samples and Data Collection

Bonjour chers collègues!

Today we are still traveling North from the two sampling locations near the Azores islands. This transit period will last 72 hours. Last night and this morning we were experiencing strong winds, and it was very challenging to walk around the ship. Some people were unable to sleep due to the motion, and those who get sea sick are trying to find effective ways to control their nausea.

Selecting the coring site at the Charlie-Gibbs fracture zone


Saturday and Sunday we completed processing the Casq and Calypso cores we collected in the Azores. There are many steps involved in this process-some can be completed here in the laboratory, and others must be completed in the laboratories of the participating institutions after the mission.

The Casq core is usually launched before the Calypso core. When the Casq core is brought on deck we must remove the cover, and then smooth the surface of the sediment with spatulas. We must be careful to smooth the sediment only horizontally and not vertically, or else we will mix sediments from different time periods and contaminate the sample! Then, we place three rows of plastic tubes in the core, flip the core, and remove the tubes with sediment. These samples must all be carefully labeled and packaged for many different types of analysis.

The Calypso core is a steel round metal tube with a thick plastic lining. The crew removes the plastic lining from the metallic tube and places it on the desk for us on metal stands. We then carefully cut the core into 1.5 meter sections. These samples are split into a "working" side and an "archival" side. For all types of cores we must be very careful to label the continuous length of the sediment properly, or else we will not obtain accurate information about the organisms that are present during each geological time period, and we will not be able to successfully reconstruct climate or circulation conditions.

On the ship several qualities of the sediment are described using the visual core description form that includes the summary of stratigraphy, bed thickness, lithology and sedimentary structures,
texture, fossil content and coring disturbances. Sometimes the scientists even taste the sediment in order to describe its texture.

On board the Marion Dufresne there is also the Multi Sensor Track (MST). This is a group of instruments, located in a special container, dedicated to the first measurements of physical properties of sediment cores. These measured properties are P-wave travel time, core diameter and temperature, Gamma ray attenuation and low field magnetic susceptibility. The sediment cores are also scanned and photographed and the visual core proprieties are quantified using a spectrometer.

Machinery cables

These measurements are all critical in order to achieve the goals of the AMOCINT project.

Last night we celebrated four birthdays that have taken place in the last three days. Transit periods are a good time to do this!
Thank you for following our journey, and have a wonderful week!

Your fellow teachers at sea

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Dia 9 (23Jun)

Coordenadas: 45˚37’ N 33˚02’ W

Olá a todos!!!

Hoje o mar esteve bastante mais agitado e o navio não parou de balançar todo o dia. Ainda assim, não há sinais de enjoo por estas bandas. Continuámos o nosso percurso rumo à zona da fractura Charlie-Gibbs e, na parte da tarde como não houve perfurações, assistimos a uma palestra sobre alterações climáticas. Toda a gente aproveitou ainda para descansar um pouco.

Como vos disse ontem, vou descrever o equipamento de carotagem Calypso. Trata-se de um sistema que permite obter testemunhos de sedimentos até cerca de 60 metros de comprimento e desenvolvido por Y. Balut no R/V Marion Dufresne. Esta capacidade de recolha de amostras de sedimentos oceânicos faz com que este seja um navio único no que à oceanografia diz respeito.


Sistema Calypso

Após o navio ter fixado a sua posição sobre o local da estação de amostragem o equipamento é colocado na água com ao auxílio de uma grua. O tubo de aço do sistema Calypso, bem como o tubo de PVC com um diâmetro de cerca de 10 cm que está no seu interior e o lastro com 3 a 10 toneladas mantêm-se unidos ao navio através de um sistema de ancoragem por onde passa a um cabo de kevlar, com densidade 1. Esta característica do cabo faz com que, uma vez dentro de água, não adicione qualquer peso ao resto do equipamento e diminua as tensões a que o sistema de recolha do equipamento para o convés é sujeito. Numa das extremidades do sistema de ancoragem é colocado ainda um contra-peso com cerca de 100 quilogramas.

O equipamento desce a uma velocidade de cerca de 1 m/s até próximo do fundo do oceano e quando o contra-peso atinge a superfície o sistema de ancoragem é desbloqueado e o tubo e o lastro continuam em queda livre penetrando os sedimentos. A ogiva colocada na extremidade do tubo é fundamental quer para perfurar como para manter os sedimentos no seu interior. Segue-se a recolha do tubo de carotagem para o convés.

Uma vez no convés o tubo de PVC é retirado do interior do tubo de aço e dividido em secções de 1,5 m. Estas secções são então cortadas em duas metades uma das quais é descrita, fotografada e sujeita a análises preliminares; e a outra metade é embalada de forma a ser preservada e arquivada. Ambas são depois armazenadas em câmaras frigoríficas e levadas para os laboratórios das várias equipas de investigação envolvidas no projecto.


Divisão em secções das duas metades da amostra recolhida

Day 9 (23Jun)


Location: 43° 58' N - 32° 36' W
Temperature: 20°C
Wind: 25.5 Knots - 310°/North
Hello fellow teachers!

After taking cores, there are many things that we must do. For instance, during this time university professors on the cruise give talks about various topics related to the larger topic. For instance, Dr. Kiki (Helga) Kleiven has presented information about marine sedimentation and the properties of seawater and ocean circulation.

The lectures help us to understand more about the significance of studying ocean sediments.

We also visited the bridge where we saw how complicated and sophisticated the equipment necessary to control the ship is. Despite this very technological aspect, the people controlling the equipment are absolutely indispensable. For instance, if the wind is very strong during a coring effort, someone must control the equipment to keep the boat steady manually with a joystick. Otherwise, coring would be impossible during high winds.



We also visited the building housing the winch system and the network of cables necessary for lowering coring equipment to the ocean floor, into the sediment, and back out again. This equipment can withstand an incredible amount of tension, (~ 1.50 x 105 N on the cable to extract the core, but this tension must be reduced to ~ 200 N on the cabledrums) and is designed very carefully for its purpose. For instance, the density of the cable allows it to be weightless in water so that it does not add extra weight to the system. Seeing this equipment made us appreciate how difficult it is to launch and recover the cores. We have had first-hand experience with these difficulties. Our first attempted Calypso core in the Azores was lost due to the bolts failing. We have no idea why this happened. Our second Calypso core in the Azores was very bent. We are unsure what the core hit to cause this to happen. Yet, a little longer than a week into the mission we have already been able to collect many excellent samples which we have already begun analyzing.

That's all for now. Have a nice day!

Your fellow teachers at sea
Hélder - Jean - Gertrud - Catalina - Angela - Carlo

domingo, 22 de junho de 2008

Day 8 (22 Jun)


Position: 38,33° N / 31,15° W
Weather: Light Skies
Temp: 20,8°C
Wind: 12,6Nts

Hello dear fellow Teachers!

We have now reached the Azores and have started coring. First out was a CASQ core at 2024m depth. It takes about an hour or more to prepare the CASQ and then it takes over half an hour to lower it (1m/sec), and finally over an hour to pull it up again (0.2m/sec when still in the sediment and then again 1m/sec). It takes another hour to dismantle it before we start to process the core. It is an interesting procedure to watch. It is a very dangerous and difficult job for the crew members who are actually operating the coring equipment. After the CASQ the Multicore was sent down, and then the Calypso core. However, bad luck hit us and the whole score equipment got stuck in the bottom and was lost. We then transit to another site 4 hours away, where we took a CASQ and a Calypso score. The Calypso did bend this time, but we didn't loose it. We are now on our way to the next site, located in a region called the Charlie-Gibbs fracture zone.

A Casq core

Today we would like to thank you for showing your interest for AMOCINT. We will try to answer some questions that we still haven't covered in earlier emails.

So, why not tell you about the meals onboard? This is a French boat, of course with a French chef. Everything is very tasty and well prepared.

Breakfast: Breakfast is served in a typically French style, with white bread and jam. In addition there is coffee, tea, milk, orange juice and cornflakes. Sometimes there are also leftovers from the night before, like meat. Breakfast is served between 7:00 and 8:30am. Northern Europeans have to adapt a bit, because they are more used to fullkorn bread, muesli and salty food for breakfast, but so far they are adjusting well.

Lunch: This is served in a really nice French style with waiters and everything. Everyone has their own assigned napkin and we sit at nicely covered tables. First the waiters serve the appetizer, which is usually some fresh vegetables or something warm. Next the main course is served. This is often a meat or fish dish with rice, potatoes or vegetables, and is always nicely flavored and prepared. If you are still hungry the waiters show up with a tray of assorted cheeses from different regions of France to choose from. Finally it is time for dessert! Everyday there is a new dessert on the menu. This is a thrill for some of us!

Dinner: The main difference between lunch and dinner is that fresh fruit is served for dessert with dinner. Both lunch and dinner are served with white and red wine and water as well.
Due to the shifts, lunch is served at both 11:00 and 12:15. Dinner is at 19:00 and at 20:15. It is unusual for some of us to go eight hours without food, but we can find us some small snacks in the kitchen in between meals if we want to.

After the meals, good coffee is served in the bar, probably a French roast. It is dark and full of flavor.

That?s all for to today. Have a nice Sunday!

Your fellow teachers at sea
Hélder - Jean - Gertrud - Catalina - Angela - Carlo

PS! Remember you can follow the rout on the www.ipev.fr - position des navires Marion Dufresne. And unfortunately, we have had problems sending photos to many of you. We will look in to that problem.

Dia 8 (22Jun)

Coordenadas: 42˚38’ N 32˚16’ W

Olá a todos!!!

Como vos disse ontem o tratamento dos sedimentos recolhidos durante o dia de ontem e madrugada de hoje deram-nos bastante trabalho. No entanto, ao terminarmos o turno às oito da manhã, como é Domingo, tivemos direito a um pequeno-almoço especial que incluiu croissants recheados com chocolate. Estavam uma delícia…


Para além da Ciência, às vezes também é preciso lavar roupa.

Entretanto, durante a madrugada após se ter recolhido o tubo Calypso para o convés zarpámos rumo à região da falha Charlie-Gibbs onde, em 1967, o navio oceanográfico R/V Charcot conseguiu obter cerca de seis metros de sedimentos. Durante o cruzeiro MD168 AMOCINT pretende-se obter sedimentos mais profundos usando os equipamentos de carotagem Casq e eventualmente também o sistema Calypso (que vos descreverei amanhã detalhadamente).

O Sol brilhou durante toda a manhã. Um pouco antes do almoço tivemos a oportunidade de avistar novamente terra firme. Passámos relativamente perto das ilhas das Flores e do Corvo, Todavia, algum tempo depois, ao atravessarmos o paralelo 40 deixou de brilhar e a tarde foi um pouco cinzenta e chuvosa. Isso fez com que nos lembrássemos que nos esperam condições climatéricas bem mais adversas e todos receamos o frio com que certamente nos iremos deparar nas latitudes para onde nos deslocamos. O mar esteve também mais agitado do que durante o resto da semana.

Durante a equipa de professores a bordo aproveitou para escrever e actualizar as notícias que temos enviado a professores de escolas de vários países relativas ao cruzeiro e ao projecto AMOCINT. Aproveitei ainda para lavar a roupa suja.

Esperam-nos cerca de dois dias de “trânsito” até à Charlie-Gibbs.

sábado, 21 de junho de 2008

Dia 6 (20Jun)

Coordenadas: 35˚43’ N 24˚ 21’ W

Olá a todos!!!

O mar esteve calmo durante todo o dia e continuámos “em trânsito” em direcção à região dos Açores. Choveu um pouco durante a manhã e fez-se sentir vento. Ainda assim, nem toda a gente se apercebeu disso, pois ontem à noite celebrámos o aniversário do George Oggian (um simpático técnico laboratorial de Bordéus) e houve uma grande e bela festa a bordo.

Ao ler os emails que recebemos de manhã fiquei super contente por saber que os Celtics, de Boston, venceram o sexto jogo da final da NBA contra os Lakers, de Los Angeles, tendo conseguido o seu 17.º título (e o respectivo anel) 22 anos depois da sua última conquista.


Palestra sobre sedimentação marinha

À tarde a equipa de professores, após ter assistido a mais uma palestra sobre sedimentação marinha e o estudo dos paleoclimas, aproveitou para avançar com a divulgação do projecto AMOCINT e do trabalho desenvolvido a bordo do R/V Marion Dufresne quer pelos cientistas, quer pelos restantes membros da tripulação.


Trabalhando na divulgação

Amanhã de manhã teremos muito trabalho, pois chegaremos ao local da primeira estação de recolha de sedimentos na zona dos Açores e serão recolhidos vários testemunhos de sedimentos.

Day 6 (20 Jun)


Position: 35°43N / 24°21W

You can follow the rout on www.ipev.fr – position des naires Marion Dufresne

Dear fellow Teachers,

Tonight we are still travelling towards the Azores. We had a rainy morning with wind about 50km an hour (ca 27 Nts). But now the beautiful sun is shining again. We have a place we call the “beach” in front of the ship. There we find especially the Scandinavians soaked in sunoil and sunrays! In their defense, they come from the rainiest city in Norway and therefore need to store vitamin-D for the wintertime. Since there is no work today, most people are busy writing emails and reports, or just resting.

Taking Cores

The sediment on the ocean floor represents layers of geological history. Therefore, if we can sample a vertical slice of this sediment, we will be able to obtain information about conditions during previous time periods. This information will allow us to make connections between past, present, and future climate and circulation patterns. This is extremely important to understand the current warming trend within the context of other interglacial, or warming periods.


Casq coring system


It takes a lot of work and sophisticated equipment to take a “slice,” or a core, of sediment. We use the Calypso coring system to acquire longer cores (maximum of about 60 meters). These longer cores are important to study more distant time periods. We are taking two other types of cores: Casq (or calypso squared) cores, and multi-cores. The Casq core is not as long as the Calypso core, but it provides undisturbed sediments. How much time is represented in a core depends on sedimentation rate and the length of the core. The multi-core is even shorter than the Casq core, however, it provides even greater detail about the surface layers of sediment. Also, the multi-corecovers a larger lateral area, and so gives us information about lateral variation of the sediment. We will discuss the equipment involved in more detail in a subsequent entry.

Calypso coring system

There are many factors that must be taken into account when choosing coring sites. First, we use echosounding to determine the depth, the topography of the sea floor, and the characteristics of the layers of sediment. The ship has electric engines because they are quiet, and will not interfere with the echosounding technology. Also this type of engine allows the ship to remain stable during the coring operation.


Echosounding profile

Even though some sampling sites are pre-determined, it takes hours to find the site and position the ship. If the ship is moving coring is impossible. The topography at the sites must be flat and at the apex of a dome-shaped peak (so the sample is not contaminated by slipping sediment). The area must have enough parallel sediment layers to be sampled, and the sediments must be of a certain type (the area cannot be too rocky).

Our first core off the coast off Morocco was about 40 meters long. It was a bit bent due to the trigger not functioning properly. We were, however, able to process the sample, and the information will be very useful in reconstructing conditions during past interglacial periods. Now that we have one Casq core, one multi-core, and three Calypso cores from our first two sites, we are ready to process the samples!


Processing a core


In a later email we will detail some of the work that goes into processing and storing these samples. Since this is an interdisciplinary endeavor we will be able to detail many applications of chemistry, physics, geology, oceanography, climatology and biology, which we hope you will share with your students.

Your sailor team Teachers at Sea!
Hélder – Angela – Catalina – Jean – Gertrud – Carlo

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Dia 5 (19Jun)

Coordenadas: 35º 43’ N 24º 21’ W

Olá a todos!!!

A manhã hoje foi tranquila. Os dois primeiros testemunhos de sedimentos recolhidos ao largo de Marrocos já foram analisados e arquivados para poderem ser estudados mais detalhadamente nos laboratórios das várias equipas de investigação envolvidas. Os sedimentos colhidos no fundo do oceano, que à primeira vista parecem ser formados apenas por lama, quando observados à lupa revelaram alguns dos seus segredos… Pudemos verificar que para além das argilas existem também fósseis de vários organismos como foraminíferos, radiolários, moluscos e equinodermes.


Observando os foramníferos à lupa


Imagem de alguns dos foramníferos recolhidos

Tivemos ainda a oportunidade de visitar uma zona do navio onde estão os cabos que permitem recolher o equipamento de carotagem para o convés. Trata-se de um sistema complexo que permite a acumulação de tensões de cerca de 20 a 25 toneladas (!) enquanto puxa o equipamento de carotagem e os sedimentos do fundo do mar.

Junto aos cabos para recolha do equipamento de carotagem

Apesar de hoje não terem sido efectuadas perfurações, tivemos a oportunidade de observar que há sempre trabalho para fazer a bordo, como a manutenção do navio e reparações de vários equipamentos. Tal como em Nova Iorque, a cidade que, como dizia Frank Sinatra, nunca dorme… no Marion Dufresne há sempre gente acordada e a desempenhar as mais diversas funções.

Após o almoço tivemos oportunidade de assistir a mais uma palestra. Os temas apresentados eram relativos à circulação oceânica e o registo geológico das alterações climáticas nos sedimentos oceânicos.

No final do dia fiquei ainda a saber que a nossa selecção vai para casa mais cedo… Ainda assim, como podem ver, a boa disposição e a amizade prevalecem.


A amizade é mais importante que o resultado...
Aquele abraço,
HP

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Day 4 (18th of June) - Invitation


Dear fellow teachers,

We have finally begun our journey on the Marion Dufresne! We are all excited and looking forward to this experience of a lifetime. We are five secondary (high school) science teachers from five different countries: Jean Aufauvre (France), Gertrud Cigén (Norway), Catalina Sureda (Spain), Hélder Pereira (Portugal), and Angela Skeeles-Worley (United States).

The
Marion Dufresne departed from the port in Las Palmas in the Canary Islands on June 15, 2008. Hélder experienced temperatures around 37ºC (105ºF) in Sevilla after traveling by bus from Loulé, Portugal. This was Angela?s first trip to Europe, and the only time Gertrud will visit the beach this year. Our stay in Las Palmas was exciting not only because it marked the beginning of our journey, but also because it marked the beginning of new professional relationships and friendships. After leaving the Port in Las Palmas, which we enjoyed for an extra day, we had to adjust to life on board.

Climate change is an immediate global concern. It is difficult to understand the possible consequences of climate change without studying the conditions of previous warming periods (known as interglacial periods). The purpose of the AMOCINT (Atlantic Meridional Overturning Circulation during Interglacials) project is to better understand conditions during past interglacial periods through the sampling of sea floor sediments. This will be further explored in future emails!

While we are here we will participate fully in a collaborative research endeavor, and work with scientists, graduate students, and crew members. We would like to share with you the goals and results of the scientific research, the methods employed, and the experience of life on a research vessel.

We invite you to join us on the Marion Dufresne by emailing us with any questions you may have in any of the languages that are being used onboard (English, Portuguese, French, Spanish, Catalan, Italian, Norwegian, German, Ukrainian and even Malagasy). We also hope you will be able to use this information to bring this experience back to your students.

Teachers at Sea
Core-Education Team
Hélder Pereira, Jean Aufauvre, Angela Skeeles-Worley, Gertrud Cigén, Catalina Sureda and Carlo Laj


Dia 4 (18Jun)

Coordenadas: 32˚38’ N 15˚ 35’ W

Olá a todos!!!

Hoje finalmente consegui dormir algumas horas extra… O dia começou com um belo e tranquilo pequeno-almoço. A seguir fui queimar algumas calorias num dos espaços desportivos do Marion Dufresne. Deu para jogar um pouco de ba­dmington e fazer um lançamentos numa tabela de basquetebol enquanto pensava que seria bom voltar a ver os meus orgulhosos verdes, i.e. os Boston Celtics, ganharem mais uma final da NBA.

Já da parte da tarde foi feita uma breve palestra para explicar, de forma mais aprofundada, os objectivos do projecto AMOCINT e foram anunciadas algumas alterações à localização das estações de carotagem para a recolha de sedimentos. Podem ver o novo mapa com a sua localização.

A seguir à palestra o grupo de professores a bordo teve a oportunidade de visitar a ponte do navio e ver o local em que é controlada quase tudo o que ocorre navio. Nessa altura ficámos a saber que iríamos passar entre as ilhas de Porto Santo e a Madeira. Algumas horas depois pudemos voltar a ver terra firme desde que saímos de Las Palmas. Passámos a menos de 20 milhas da costa, pelo que voltámos a ter rede nos telemóveis e quase toda a gente a bordo aproveitou para ligar para casa… O mar estava calmo e não tenho palavras para descrever a paisagem.

Absolutamente espectacular!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Dia 3 (17Jun)

Coordenadas: 30˚50’ N 10˚ 16’ W

Olá a todos!!!

O dia hoje começou cedo. Às 4 da manhã já estávamos a trabalhar. A nossa tarefa consistiu na preparação e tratamento dos testemunhos de sedimentos dos furos efectuados com o sistema Calypso. Este equipamento de carotagem (cujo funcionamento vos será explicado mais tarde) é formado, na zona superior, por um peso que é unido a longo tubo metálico no qual é introduzido um outro de plástico onde ficam os sedimentos recolhidos em cada furo. Após o tubo de plástico, com várias dezenas de metros, ter sido retirado do interior do tubo metálico efectuou-se o corte do tubo de plástico em secções de 1,5 metros. Estas secções foram então cortadas em duas metades uma das quais foi descrita, sendo fotografada a cada 2 cm, e sujeita a análises preliminares num aparelho chamado MST; a outra metade foi apenas embalada de forma a ser preservada e arquivada.



O sistema Calypso

Algumas horas depois assistimos ao nascer do Sol no meio do oceano. Foi um momento belo e inspirador. A luz do Sol a incidir sobre a água com uma açor azul como eu nunca tinha visto é uma imagem que ficou bem marcada na minha memória. Simplesmente espectacular!



O nascer do sol no meio do Oceano

Já na parte da tarde o grupo de professores da Core-Education Team teve a primeira reunião de trabalho de modo a definirmos quais as actividades que poderemos desenvolver, tendo em vista a divulgação do trabalho desenvolvido a bordo.

No final da tarde teve início, após um período de pesquisa para encontra o lugar adequado foi efectuado o segundo furo Calypso na zona de Marrocos. Após a recolha do equipamento para o convés zarpámos em direcção ao mar dos Açores.

Amanhã o dia dever ser mais calmo. Logo vos conto os detalhes da viagem.

Dia 2 (16Jun)

Coordenadas: 30˚51’ N 10˚ 06’ W

Olá a todos!!!

Ontem esqueci-me de vos dizer que fiquei no turno das 4h às 8h e das 16h às 20h. Como vos disse antes participam neste cruzeiro pessoas de vários países, pelo que terei como companheiros de jornada Gertrud Cigen (Teacher at Sea – Noruega); Hanno Kinkel (Institut für Geowissenschaften, Marine Paläoklimaforschung, Christian Albrechts Universität, Kiel – Alemanha); Kikki Kleiven (Bjerknes Centre for Climate Research, Univ. de Bergen – Noruega); Genna Patton, (Univ. de Chicago – EUA); Catalina Sureda-Carrio, (Teachers at Sea – Espanha); Catherine Kissel, Aurélie Van Toer, Camille Wanders, Georges Oggian, Nathalie Dubois, Stephano Bonelli, de Itália (Laboratoire des Sciences du Climat et de l´Environnement, Gif sur Yvette – França) e Martin Mellet (IPEV).

Como vêm não é só o navio que é grande… e a diversidade de línguas faladas não se fica por aqui, como vos contarei depois.

Por falar em línguas esta tarde fui chamado à cabine do comandante do navio que me pediu para traduzir um documento, enviado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do nosso país, relativo à autorização para que o R/V Marion Dufresne possa cruzar as nossas águas territoriais e recolher amostras de sedimentos na região dos Açores.

Um pouco depois deste facto curioso, assistimos a uma breve sessão de esclarecimento sobre as regras básicas de segurança a cumprir a bordo do navio, deram-nos as instruções necessárias para vestirmos os fatos salva-vidas (que temos à nossa disposição em todas as cabines) a que se seguiu um exercício de simulacro de evacuação do navio em situação de emergência.



O sistema Casq


Chegámos já de noite à margem continental de Marrocos e, após algum período de pesquisa do melhor local para perfurar, foi efectuada primeira carotagem Casq (que permite obter testemunhos de sedimentos curtos e quadrados. Apesar de inicialmente se pensar que os sedimentos tinham sido perdidos durante a colocação do equipamento no convés, verificou-se que se obteve testemunho de sedimentos, com cerca de 7 metros, correspondente à zona mais superficial do fundo do oceano. Efectuou-se também o primeiro lançamento do equipamento Calypso. Neste segundo furo as coisas não correram tão bem e, ao ser colocado no convés, verificámos que o tubo estava dobrado na parte superior. Devido a esta situação efectuou-se um segundo furo na mesma zona.



O tubo do sistema Calypso dobrado

Amanhã iremos abrir os tubos e ver os primeiros sedimentos recolhidos nesta campanha oceanográfica. Logo vos conto como foi…

domingo, 15 de junho de 2008

Dia 1 (15Jun) – Noite

Coordenadas: 29˚11’ N 13˚ 58’ W

Olá a todos uma vez mais!!!

Na reunião com todos os participantes na missão oceanográfica ficámos a saber que, durante o cruzeiro, serão usados três tipos de equipamentos de carotagem para recolher sedimentos. O sistema Calypso (que permite obter testemunhos de sedimentos longos e circulares), o sistema Casq (que permite obter testemunhos de sedimentos curtos e quadrados) e um sistema multicorer que permite obter oitos testemunhos de sedimentos superficiais em simultâneo.

Os testemunhos de sedimentos recolhidos com os sistemas Calyspo e Casq serão divididos longitudinalmente em duas secções. Uma delas será descrita e sujeita a um conjunto de análises preliminares que serão realizadas a bordo e a outra metade será arquivada. Mais tarde farei uma descrição dos vários tipos de análises que serão efectuadas a bordo.

Amanhã faremos um exercício de segurança a bordo e uma visita detalhada às diferentes partes do navio, bem como a primeira perfuração.

Dia 1 (15Jun) - Tarde

Olá a todos de novo!!!

Coordenadas: 20˚10’ N 15˚ 20’ W

Chegou finalmente a hora. O navio vai partir!!!

Era o momento pelo qual todos esperávamos e correspondeu a todas as expectativas. Foi extraordinário! Primeiro as manobras dentro do porto. Não é fácil manobrar um navio tão grande num espaço limitado como o do porto. No entanto, tudo correu bem.


O Marion Dufresne no porto antes de partir

Toda a gente foi para a parte superior do convés de onde se tem uma vista privilegiada para todas as direcções. Estávamos todos super-excitados. Mesmo quem já participou noutros cruzeiros oceanográficos tinha um grande sorriso nos lábios. O meu ia de orelha a orelha… J

Ver o porto ficar para trás, a cidade e depois toda a ilha a ficar cada vez mais pequena fez com que nos apercebêssemos que iremos passar as próximas três semanas sem voltar a pôr o pé em terra firme.

É hora de dar início ao trabalho.

Voltámos para o interior do navio e teve lugar a primeira reunião com todos os elementos das equipas de investigação, da equipa de professores e dos estudantes universitários que participam na missão. Ao todo éramos cerca de 40 pessoas.

As duas chefes deste cruzeiro oceanográfico, Catherine Kissel e Kikki Kleiven, fizeram uma breve descrição do projecto AMOCINT e explicaram-nos quais são os objectivos da missão. Ambas abordaram ainda vários aspectos práticos do trabalho a realizar a bordo. A informação pela qual todos aguardavam com mais expectativa tinha a ver com o turno em que irão trabalhar. Ficámos a saber que as equipas serão divididas em três turnos: um grupo trabalhará entre a meia-noite e as quatro da manhã; o seguinte entre as quatro e as oito da manhã e o último turno entre as oito e o meio-dia. Ao meio-dia a equipa do primeiro turno volta ao trabalho e assim sucessivamente. Desta forma toda a gente trabalhará oitos horas por dia. Acreditem que não vai ser fácil, pois diz quem sabe que o trabalho que nos espera é duro. O chefe de operações, Xavier Morin, falou-nos também sobre algumas regras de segurança e higiene a ter em atenção, nomeadamente a necessidade de utilizar capacete e um tipo de calçado adequado no convés. Como vamos ficar cheios de lama, toda a gente tem também mudar de roupa quando sai do convés para não sujar o interior do navio.

Dia 1 - Manhã e Início da tarde

Olá a todos!!!

Chegou finalmente o grande dia! Durante a manhã o navio foi sujeito a uma última inspecção de forma a assegurar que teremos uma viagem sem problemas. A hora de partida será às 16horas e toda a gente terá de estar no navio uma hora antes.

Antes do almoço aproveitámos para regressar à cidade e acabámos por subir a um dos aparelhos vulcânicos que existem nas imediações de Las Palmas e que constituem uma área protegida. A paisagem é deslumbrante.

HP em Las Palmas

De regresso à cidade almoçámos umas tapas numa tasca e voltámos ao navio por volta das 15h. O grande momento aproxima-se. Até já!!!

sábado, 14 de junho de 2008

Dia 0 (14Jun)

Olá a todos!!!

De manhã cedo os participantes no cruzeiro MD168 AMOCINT foram transportados até ao molhe de Santa Catalina, no porto de Las Palmas, de maneira a pudessem instalar-se no R/V Marion Dufresne. Toda a gente foi bem recebida e recebeu um cartão de identificação que terá de usar enquanto permanecer no navio. De facto ver o navio nas fotografias é uma coisa e estar ao lado ou no seu interior é uma coisa completamente diferente.


Ver o navio nas fotografias é uma coisa e estar ao seu lado é uma coisa completamente diferente...

O almoço foi servido no navio e, tal como toda a gente me tinha dito, foi genial. Uma entrada, dois pratos, queijos e fruta. As bebidas à disposição são muito diversificadas e incluem os três tipos de vinho mais comuns: branco, rosé e tinto.

Da parte da tarde aproveitámos para visitar e dar um passeio pela cidade. Andámos junto à praia pelo passeio marítimo e, pela cor da areia, deu para ver bem que a ilha tem origem vulcânica. Além disso observando a paisagem com atenção conseguem ver-se alguns aparelhos vulcânicos.

Aproveitámos para fazer algumas compras de última hora e regressámos ao navio.


sexta-feira, 13 de junho de 2008

Dia -1 - Viagem até Las Palmas

Olá a todos!!!
Hoje, tendo como destino ao arquipélago das Canárias, parti bem cedo de Faro num autocarro com destino a Sevilha (estava um calor de morrer, 37&#73ºC imaginem). Ali apanhei o avião até Las Palmas, situada na ilha Gran Canaria. A viagem durou cerca de duas horas, correu tudo bem e consegui tirar algumas fotos da ilha de Tenerife. Já em Las Palmas (onde a temperatura era bem agradáve) era esperado por um agente da autoridade marítima que conduziu até ao Hotel que tinha reservado. Ali encontrei outros professores, estudantes, marinheiros, mecânicos e outros elementos da tripulação do R/V Marion Dufresne que irão participar no cruzeiro MD168 AMOCINT.

Dia -1 (13 de Junho)

Olá a todos!!!

Hoje, tendo como destino ao arquipélago das Canárias, parti bem cedo de Faro num autocarro com destino a Sevilha (estava um calor de morrer, 37˚C imaginem). Ali apanhei o avião até Las Palmas, situada na ilha Gran Canaria. A viagem durou cerca de duas horas, correu tudo bem e consegui tirar algumas fotos da ilha de Tenerife.

Já em Las Palmas (onde a temperatura era bem agradável) era esperado por um agente da autoridade marítima que conduziu até ao Hotel que tinha reservado. Ali encontrei outros professores, estudantes, marinheiros, mecânicos e outros elementos da tripulação do R/V Marion Dufresne que irão participar no cruzeiro MD168 AMOCINT.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC)

A Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC) é um sistema de circulação oceânica que transporta, à superfície, águas quentes para Norte e, em profundidade, águas frias para Sul. À medida que a água quente liberta calor para a atmosfera torna-se mais densa e afunda-se. Em profundidade a água fria regressa lentamente para os trópicos. Este processo é igualmente conhecido por circulação termo-halina do Atlântico Norte e contribui para a regulação do clima nas latitudes elevadas.

© E. Paul Oberlander, Woods Hole Oceanographic Institution
© Woods Hole Oceanographic Institution

Vê aqui uma animação da AMOC (QuickTime)
© NASA/Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab


Ler mais:
[1] The Once and Future Circulation of the Ocean
[2] Interrogating the 'Great Ocean Conveyor'
[3] The Atlantic heat conveyor
[4] Abrupt Climate Change: Should We Be Worried?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Logotipo do cruzeiro MD168 - AMOCINT

A missão oceanográfica AMOCINT já tem logotipo. É da autoria do artista Daniel Catelain. Ficou bem catita, não acham?!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Rota e localização do R/V Marion Dufresne

Podes seguir a rota e ver a localização do navio oceanográfico Marion Dufresne abrindo o seguinte ficheiro KML no Google EarthTM. Se ainda não tens este programa podes obtê-lo gratuitamente aqui.
Podes igualmente ver a posição dos navios oceanográficos do IPEV no Google Maps.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O navio oceanográfico Marion Dufresne

O Marion Dufresne foi construído nos estaleiros navais de Le Havre, em França, e é um navio polivalente. No activo desde 1995 assegura duas funções principais:
(1) a pesquisa oceanográfica, sob a responsabilidade do IPEV (Instituto Polar francês Paul Emile Victor);
(2) a logística (transporte de pessoas e bens) para os territórios ultramarinos franceses.

Assim, o Marion Dufresne é simultaneamente:
- um navio científico ou R/V (Research Vessel), equipado com 650 m2 de laboratórios e equipamentos pesados dedicados à pesquisa oceanográfica, únicos no mundo.
- um navio com capacidade para 110 passageiros (residentes ou visitantes nos territórios ultramarinos franceses).
- um navio de carga pesada e contentores com uma capacidade de 4600m3, combinadas com dois guindastes de 25 toneladas, e três outros guindastes de serviço.
- um petroleiro que transporta combustíveis para territórios distantes.
- um porta-helicópteros.

Actividades de investigação e pesquisa científica:
As expedições de investigação levadas a cabo pelo R/V Marion Dufresne abrangem vários aspectos da oceanografia: (1) geociências marinhas (geologia, geofísica, sedimentologia, paleoclimatologia); (2) oceanografia biológica, biogeoquímica); (3) oceanografia física (físico-química, propriedades das massas de água e circulação oceânica).

A sua especificidade, em termos de carotagem de sedimentos e estudos paleoclimatológico é reconhecida a nível internacional. Graças ao seu equipamento de carotagem CALYPSO, é um dos poucos navios capazes de recolher cores de sedimentos marinhos que podem alcançar até cerca de 60 m de comprimento.



Características:
Comprimento total: 120,50 m
Largura: 20,60 m
Profundidade: 12,80 m
Calado: 6,95 m
Capacidade de carga: 2500 t ou 5600 m3
Propulsão: diesel-elétrico
Potência de propulsão: 2 x 3000 kW + 1 propulsor dianteiro de 750 kW
Lemes laterais: 2
Velocidade máxima: 16 nós
Passageiros: 110
Tripulação: 10 oficiais + 20 marinheiros + 20 tarefeiros

domingo, 1 de junho de 2008

Cruzeiro oceanográfico AMOCINT

A aventura está prestes a começar...

A missão oceanográfica MD168 - AMOCINT (IMAGES XVII) que decorrerá, entre 15 de Junho e 10 de Julho de 2008, a bordo do R/V Marion Dufresne será conduzida, no âmbito do projecto AMOCINT (Atlantic Meridional Overturning Circulation during INTerglacials), que faz parte do programa EuroMARC da European Science Foundation. Este projecto é realizado em parceria com o programa IMAGES (International Marine Global Change Study), iniciado em 1995 como um programa científico internacional direccionado para a recolha e interpretação de dados paleoclimáticos dos oceanos. A sua finalidade está relacionada com a compreensão do papel dos processos marinhos no sistema climático terrestre durante os últimos milhões de anos. O cruzeiro oceanográfico MD168 - AMOCINT tem como objectivo o estudo da estrutura espacial e temporal do clima e da hidrografia durante as épocas interglaciares (épocas de clima mais quente como a que atravessamos actualmente), no Atlântico Norte.

Atlantic Meridional Overturning Circulation during Interglacials – AMOCINT
As grandes dúvidas acerca do futuro do clima terrestre estão relacionadas com a sensibilidade do sistema climático a forças externas. Além disso, outros factores como o ciclo do carbono e a sua relação com o clima, bem como a circulação nos oceanos e a instabilidade das calotes polares da Gronelândia e da Antárctida, continuam a levantar muitas questões.
Estudos recentes indicam que a sensibilidade do sistema climático ao aumento do CO2 na atmosfera situa-se entre os 1,5 e os 4,5º C (sendo 3ºC o valor mais provável). O limite superior deste intervalo é mais incerto do que o limite inferior. Uma forma de determinar com maior exactidão este intervalo e, consequentemente determinar a sensibilidade do clima face ao aumento do carbono atmosférico, é através do registo paleoclimático. A pesquisa realizada no projecto AMOCINT envolve a recolha de sedimentos marinhos para o estudo das alterações climáticas.

Principais objectivos do projecto AMOCINT:
1. Pesquisar locais com uma elevada taxa de sedimentação para para amostragem com o equipamento de carotagem Calypso disponível no R/V Marion Dufresne.

2. Realizar pesquisas detalhadas de locais chave para monitorizar a variabilidade da Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC). Esses locais poderão ser posteriormente explorados no âmbito do programa IODP, tendo em vista a recolha de secções sedimentares espessas depositadas nos períodos interglaciais.

3. Continuar o estudo das características da circulação de água no Atlântico Norte, durante os períodos interglaciais (ao longo dos últimos 800.000 anos) comparando os novos dados, resultantes da análise dos cores Calypso, com outros já existentes e com dados provenientes dos cores de gelo da Antárctida e Gronelândia.

EuroMARC CRP: Atlantic Meridional Overturning
Circulation During Interglacials (AMOCINT)